Os Maias
Intriga secundária

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Educação de Pedro
O Pedrinho no entanto estava quase um homem. Ficara pequenino e nervoso como Maria Eduarda, tendo pouco da raça, da força
dos Maias; a sua linda face oval de um trigueiro cálido, dois olhos
ma r a v i l h o s o s   e   i r r e s i s t í v e i s ,   p r o n t o s   s emp r e   a   h ume d e c e r- s e ,
faziam-no assemelhar a um belo árabe. Desenvolvera-se lentamente, sem curiosidades, indiferente a brinquedos, a animais, a
f l o r e s ,   a   l i v r o s .   N e n h u m   d e s e j o   f o r t e   p a r e c e r a   j a m a i s   v i b r a r
naquela alma meio adormecida e passiva: só às vezes dizia que gostaria muito de voltar para a Itália. 

Era em tudo um fraco; e esse abatimento contínuo de todo o seu ser resolvia-se a espaços em crises
de melancolia negra, que o traziam dias e dias mudo, murcho, amarelo, com as olheiras fundas e já velho. O seu único sentimento
vivo, intenso, até aí, fora a paixão pela mãe

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